Fiz a Travessia] Saí de agências digitais para nutrir relações e desenvolver pessoas através da gastronomia.

Entrevista comigo por Lella Sa

A entrevistada de hoje é a Clau Soares, na série “Fiz a Travessia”, um projeto para inspirar e incentivar pessoas a fazerem uma transição para serem mais felizes, satisfeitas e realizadas no trabalho e na vida.

Nome: Clau Soares

Idade: 31
Antes era: Gerente de atendimento em agências digitais

Hoje: Nutre relações e desenvolve pessoas e a si mesmo utilizando a gastronomia como ferramenta. Saiba mais em www.clausoares.com

Lella Sá: Por que você faz o que você faz hoje?

Clau SoaresFaço isso porque amo cuidar de pessoas e das relações interpessoais e por descobrir na gastronomia uma ferramenta poderosa para nos deixar mais humanos e menos robóticos, ferramenta essa que desperta os 5 sentidos, a criatividade, o cuidar, o compartilhar, a conexão interna, conexão com ancestralidade… e muitas outras razões que quando nos abrimos ao sentir ganhamos um montão de novas possibilidades que fica até difícil descrever em palavras.

Além disso hoje trabalho com autonomia e liberdade, pois tomei as rédeas do meu tempo e da minha vida.

Lella Sá: Por que você decidiu sair da onde estava?

Clau SoaresPorque descobri que estava perdendo o brilho no olhar e a saúde.

  • Em sessões de terapia percebi o quanto estava desconectada do meu corpo físico, não tinha noção do meu cansaço e nem das minhas dores e mágoas.
  • Vivia numa ilusão de que minha vida era maravilhosa, já que tinha conquistado um cargo bacana
  • Queria viver de acordo com a minha essência que gosta de andar descalça na natureza, gosta de desenhar, criar, viajar, escrever, ler, viver num mundo mais encantado, se envolver com projetos de desenvolvimento humano, ensinar, aprender, mudar, movimentar, de simplicidade e de pessoas.
  • Sentia que precisava ser mais feliz e sabia que a maneira que estava levando a vida não me conduziria à tal felicidade.

Lella Sá: Como fez essa mudança?

Clau Soares:

Pedi demissão:

Após voltar de 1 mês de férias na Europa percebi que precisava mudar de vida e segurei o pedido de demissão por 4 meses, até que resolvi fazê-lo. Não tinha nenhum plano B nesse momento, só tinha a certeza que precisaria quebrar com o que já não fazia mais sentido, já não aguentava mais ter que brigar comigo mesma para sair da cama todas as manhãs.

Fui para uma agência menor, na qual foquei em ser uma boa pessoa e não em ser uma profissional de sucesso:

Foi quando surgiu uma oportunidade em uma agência menor com tudo reduzido: carga horária, responsabilidade, renome, cargo , inclusive ia ficar com a menor conta que era uma empresa familiar. Topei a oportunidade, pois dessa forma poderia criar minha carreira B com mais calma.

Enquanto estava na agência menor tive mais tempo e criei minha própria empresa:

Nessa agência reduzi a responsabilidade e comecei a mudar minha relação com o trabalho. Junto com uma prima e uma amiga criamos o Trio Gourmet, queríamos levar momentos de mais prazer para o dia a dia das pessoas através de experiências gastronômicas.

Fui demitida:

Fiquei quase um ano nessa outra agência que não estava bem em termos financeiros e faliu durante a Copa do Mundo e para a minha felicidade fui demitida. Com a rescisão em mãos tive um respiro para brincar de cozinheira num espaço colaborativo que tinha ideais muito parecidos com os que eu sempre sonhei.

Ouvi minha intuição e me joguei ao brincar de ser cozinheira:

Comecei a fazer um laboratório de aprendizados em um local que valorizava a auto-gestão, isso sem hierarquia e sem burocrocia, era a Laboriosa 89. Lá que fiz o estaleiro liberdade junto com a Lella, coach do Travessia, e comecei a me envolver com uma nova forma de viver a vida, comecei a vivenciar a lei da abundâcia. Ok e como virei Chef, culinária, ou empreendedora? Na Laboriosa tinha um grupo chamado CookLab que reunia alguns chefes para dividirem a cozinha em jantares compartilhados, uma dia disse que a minha empresa gostaria de participar na organização do próximo jantar e não é que colocaram a minha foto no flyer como uma das Chefs do próximo evento! A Chef do Trio era na verdade a minha prima. E eu resolvi me jogar mesmo assim, já que eu conseguiria cozinhar. Essa é a profissão da minha mãe e desde pequena a ajudei. A partir desse dia fui reconhecendo meus talentos e me abrindo para tudo que surgia em relação à cozinha.

Acreditei nos meus talentos a partir do feedback das pessoas a minha volta:

O Feedback das pessoas era sempre positivo e em pouco tempo estava envolvida em todos os projetos do espaço. Até aula para alunos de intercambio eu dei e aprendia a receita durante a aula junto com os alunos (o You Tube e as ligações para minha mãe que me ensinaram a ensinar). Era uma farra só: tendo caipirinha os gringos estavam felizes e nem se importavam de não aprender à risca as técnicas da cozinha. Depois disso muita coisa boa aconteceu e grandes empresas chegaram até mim possibilitando o meu crescimento.

Reestruturei o formato inicial da minha Empresa:

A formação inicial do Trio Gourmet durou pouco por diversos motivos e eu que acabei assumindo a marca que hoje conta com a parceria e o trabalho dos meus pais que já têm 30 anos de experiência na área. Eu levo inovação e eles entram com a experiência. E estamos fazendo coisas incríveis e muito diferentes: festas infantis com oficinas de culinária, team building junto com RH de grande empresas, festas de finais de ano, coffee break, festas temáticas, almoços… Sempre colocando um pouco de alma e montando algo personalizado, atendendo os desejos e as restrições de quem nos contrata.

Hoje construí um portfólio que me dá segurança para comunicar melhor o meu diferencial:

Esse mercado de gastronomia é gigantesco, por isso é tão difícil focar em um único caminho ainda mais por eu ser tão múltipla e gostar de circular por diversos mundos.

Lella Sá: Quais foram os maiores desafios que passou para fazer essa transição?

Ter Disciplina:

A partir do momento que você assume as rédeas da sua vida, também assume a responsabilidade por criar sua agenda e sua nova rotina. O mais difícil é achar o equilíbrio entre horas de lazer e horas de trabalho (se é que é possível separá-las). Às vezes trabalhar de pijama pode não ser produtivo, por mais gostoso que isso seja.

Comunicação:

Confesso que fiquei com preguiça de me comunicar, já que trabalhava com isso anteriormente. E é um tanto complexo falar com clareza o que você faz quando ainda está se descobrindo. Muitas pessoas acham que eu sou Chef de Cozinha e trabalho em um restaurante, pois muitos entendem que esse é o único caminho para quem trabalha na área. Acho que o que eu faço ainda é muito novo e foi muito difícil colocar em caixinhas.

Deixar meu negócio vendável:

É desafiador classificar talentos como produtos de prateleira e ao mesmo tempo é preciso deixar meus produtos e serviços mais acessíveis e vendáveis. Acredito que valha estruturar algo mesmo que se modifique com o passar do tempo. É importante dar opções de produtos para as pessoas saberem como e quando te indicar. Muitas das pessoas com as quais converso falam que sabe que eu faço um monte de coisa bacana, mas não sabem como me indicar. Isso melhorou depois que consolidei meu site.

Fazer e desfazer sociedades:

Tendemos a atuar de modelos antigos, achando que é necessário fazer sociedade para empreender. Muitas vezes o ideal é buscar parcerias e não sociedades baseadas em crenças antigas baseadas na lei da escassez.

Reconhecer meus próprios talentos:

Como comecei a cozinhar de brincadeira, demorei a entender que as pessoas reconheciam de verdade o valor do que eu estava fazendo. Então, primeiro acreditei na opinião de terceiros para depois assumir dons e competências para me profissionalizar. E é possível fazer isso sem ter uma formação tradicional na área.

Cansaço físico:

Cozinha não é só raio gourmetizador, tem muita ralação envolvida.

Ter dificuldade em cobrar por algo que faço de forma tão natural:

É difícil colocarmos valor e preço por serviços intangíveis. Aprendi que devo cobrar pelo meu tempo e não pelo meu talento.

Além disso tudo, também tive o desafio de vencer o medo de mudar e de errar; praticar o desapego e diminuir o consumo; abrir mão de um salário mensal; ser o “faz tudo” do meu negócio e lidar com a sazonalidade e eventos pontuais.

Lella Sá: Como ficou a questão de grana em meio a incerteza?

Clau SoaresA situação já era preta quando eu ganhava um salário alto, sempre tive dificuldade em poupar acho que fazia como a maioria das pessoas que praticam indulgências para calar as angústias momentâneas. Então, no começo, tive que me virar nos 30 para pagar dívidas antigas, às vezes até fazendo novas dívidas em bancos. Demorou um pouquinho, até que finalmente fiz as pazes com a poupança ao reduzir minhas contas mensais e aumentar minha renda. Atualmente voltei a morar com meus pais, saindo do aluguel, vendi meu consórcio, cancelei a previdência e consigo juntar dinheiro e ter até um respiro na questão de grana. Sempre digo para as pessoas que empreender não é fácil e ao mesmo tempo digo que é delicioso. Hoje grana já não é mais uma questão que me tira o sono, na verdade hoje vejo como algo mais próximo de ser alcançado.

Nesse processo também aprendi a trocar serviços. Uma vez troquei um desconto numa festa infantil por uma sessão de coaching, por exemplo. Você aprende que há outras formas de viver e que não necessariamente precisa de dinheiro para tudo (atenção não estou dizendo que não precisamos e merecemos tê-lo mas existe uma nova economia colaborativa ganhando muita força).

Lella Sá: Qual futuro você está ajudando a criar?

Clau SoaresUm futuro de mais conexão com a terra que provê nosso alimento e nosso sustento, de mais autonomia, de mais liberdade, de mais trocas e novas possibilidades, de mais questionamentos para o que não faz sentido, de mais alegria e mais sustentabilidade no sentido amplo da palavra.

Lella Sá: Que dicas você daria para quem quer ter um Trabalho com Significado?

Clau Soares:

1 — Busque uma carreira B enquanto está num trabalho “estável”. Ache tempo para levar em paralelo essas rotinas, de repente você assumirá naturalmente a que faz mais sentido para você.

2- Caso não tenha ideia do que quer fazer como profissão comece olhando para dentro para resgatar os sonhos de criança. Coaching, terapia, leituras, conversas com quem já passou por isso, meditação são algumas ferramentas que podem ajudar nesse processo. Ou pergunte-se a si mesmo “se eu não precisasse me preocupar com dinheiro o que eu estaria fazendo agora?”. Investigue formas de fazer isso e obter uma renda com esse desejo.

3- Comece! Não espere o momento ideal e a tal formação “xpto” para fazer algo que já está gritando ai dentro de você. Já nascemos com as ferramentas necessárias para sermos o que quisermos.

4- Se jogue, afinal, o caminho de fato é o mais importante. Experimente o máximo de coisas e áreas.

5- Simplifique ao criar um projeto.

6- Conecte-se com a natureza ela tem muito a nos ensinar. Procure ter hábitos mais sustentáveis, parece que com isso tudo vai se equilibrando ao seu redor.

7- Lembre-se de respirar e trabalhe para estar presente em tudo o que faz no seu dia a dia, as respostas virão mais fáceis.

8- Busque grupos parecidos com as suas crenças. Você não é louco e nem está sozinho. Ah! E quando te chamarem de louco, lembre dessa música:Balada do Louco.

9- Confiança. Coragem e gratidão são essenciais para ficar tudo bem ;)

10- Você também pode marcar um atendimento de cozinha terapêuticacomigo e quem sabe podemos olhar para essas questões juntos ;)

Se você quer fazer a sua transição para um Trabalho com Significado, faça o Programa Travessia.

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